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REAÇÃO DA BOLSA E MERCADO NO PÓS-ELEIÇÃO

Depois de uma semana positiva logo após a eleição do novo presidente da república, o Ibovespa amargou uma queda que chegou a 9% quinta-feira, dia 10 de novembro. Com a redução das perdas na sexta, a semana deve fechar com queda próxima a 5%. O mercado entendeu como muito negativas as afirmações de Lula durante evento na quinta feira, junto com a indicação de nomes ligados ao PT para compor a equipe de transição.

No dia 30 de outubro, no discurso da vitória, Lula fez um discurso moderado e de pacificação. Somado às sinalizações dadas durante a campanha, com uma frente ampla de partidos e apoios, à escolha de Geraldo Alckmin, um tucano com histórico de responsabilidade fiscal e bom trânsito político, e a um Congresso de centro-direita que pode frear os impulsos mais petistas, mais extremos, assim a sensação no mercado era de moderação. Tanto que no dia seguinte, tivemos a clássica dupla, alta da bolsa e queda do dólar.

Essa tendência seguiu durante toda a semana, com Alckmin sendo indicado como coordenador da equipe de transição, e já indicando os primeiros nomes a compor esse time que fica até o fim do ano, misturando no núcleo econômico nomes do PT (Guilherme Melo e Nelson Barbosa) com nomes do Plano Real (André Lara Resende e Persio Arida), estes liberais e considerados como nomes que agradam mais o mercado.

Também foi dado início aos estudos para a chamada PEC da Transição, projeto que o governo eleito quer passar antes do recesso parlamentar para incluir gastos ainda não previstos no orçamento de 2023, como o Bolsa Família de R$ 600,00, aumento real para o salário mínimo e aumento de verbas de outros programas, como o Farmácia Popular, todos promessas de campanha de Lula. Apesar da apreensão com este projeto, que configura gastos acima do Teto, o mercado entende como necessário e inevitável, a dúvida é o quanto mais se irá gastar. Os analistas apontam que um gasto de cerca de R$ 100 bi seria aceitável, enquanto um mais próximo de R$ 200 bi indicaria já um afrouxamento muito grande das despesas.

Acelerando para esta semana, o cenário mudou um pouco. Lula, que na semana anterior tirou cinco dias de descanso entre a campanha e o início dos trabalhos do governo eleito, voltou e passou a participar de diversas reuniões e encontros em Brasília. Na quinta feira, Lula, em visita à sede da equipe de transição, no Centro Cultural Banco do Brasil, criticou o Teto de Gastos e o debate em torno do controle fiscal. Após a fala, tivemos também a confirmação de Guido Mantega na equipe de transição. Mantega foi ministro da Fazenda de 2006 a 2015, responsável pela implantação de políticas econômicas heterodoxas, num conjunto chamado de Nova Matriz Macroeconômica, que levou o Brasil à pior crise econômica de sua história, no biênio 2015-2016, portanto um nome que agrada pouco ao mercado. No fim do dia, o Ibovespa chegou a cair 3,35%, perdendo R$ 156 bi em valor de mercado.

Na sexta-feira, uma parte das perdas da semana foram revertidas, mas ainda com uma queda acumulada de mais de 5%. Ainda tem muita coisa pra acontecer até a posse, e as atitudes e falas do novo presidente, juntamente com os nomes que irão compor o governo mais o texto da PEC da transição, irão determinar a temperatura no mercado nesse final de ano. Um tom moderado, nomes com credibilidade e uma PEC responsável serão bem-vistos. Populismo, nomes que só agradam à ala radical do PT e uma PEC que permita exagero nos gastos tenderão à levar a quedas maiores na bolsa e aumento nas taxas futuras de juros.

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