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RESUMO ESPECIAL 2022

No último dia útil do ano, vale uma retrospectiva dos principais acontecimentos de 2022. Tivemos em 2022 o arrefecimento da maior pandemia em 100 anos, após dois anos com milhões de mortes por todo o mundo, dezenas de milhões de casos e perdas econômicas e sociais quase incalculáveis. Em fevereiro, a Rússia iniciou o maior conflito entre países europeus desde o fim da segunda guerra, mas a Ucrânia vem se defendendo de maneira heroica e agora acredita numa ainda distante vitória. No Brasil, a economia voltou a crescer nos últimos dois anos, mas com a inflação crescente e aumento dos juros, já temos uma previsão de estagnação para os próximos anos. O mesmo cenário de juros altos e baixo crescimento se repete no resto do mundo. Tivemos também por aqui a eleição presidencial, que elegeu Lula como presidente da República pelos próximos quatro anos.

No fim de janeiro e início de fevereiro de 2022, tivemos o último grande surto de covid no Brasil, em que a média de mortes chegou a bater os 800 casos diários. Depois disso, com boa parte da população imunizada por pelo menos três doses da vacina, além da imunização natural após a contração da doença por diversas vezes, o número médio de mortes nunca mais passou os 200 casos diários, muitas vezes contabilizando zero mortes em alguns dias. Com o controle da pandemia, as restrições de isolamento, aglomeração e uso de máscaras foram gradualmente flexibilizadas. No estado de São Paulo, o uso de máscaras deixou de ser obrigatório em locais abertos no dia 9 de março, e em locais fechados no dia 17 do mesmo mês.

Em 24 de fevereiro, a Rússia fez os primeiros ataques ao território ucraniano, bombardeando a capital Kiev. Desde o fim de 2021, a Rússia já vinha intensificando a presença de tropas nas fronteiras com a Ucrânia, e Putin fazia discursos indicando uma possível invasão, ainda que muitos especialistas apostassem que um conflito de fato era improvável. Após o início do conflito, a expectativa era de que seria uma operação simples para a Rússia, e que a guerra terminaria em poucos dias ou até horas. Porém, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que se imaginava que fugiria do território após os primeiros ataques, decidiu ficar e coordenar in loco a defesa de seu povo, o que deu o moral necessário para que a resistência ucraniana conseguisse fazer frente a Rússia nos primeiros dias.

Junto a isso, o mundo se compadeceu com a enorme injustiça e com o genocídio injustificado de Putin perante o povo da Ucrânia, e passou a enviar doações de dinheiro, mantimentos e armas para o país. Encabeçado pelos EUA, mas com a presença de praticamente todos as grandes potências do mundo, um grande fluxo de armamentos passou a ser enviado para a Ucrânia, e sanções de todos os tipos foram impostas à Rússia. Com isso, a guerra que inicialmente parecia impossível para a Ucrânia, passou a mudar, e o país foi avançando ao longo dos meses, de modo que agora no fim de 2022 se acredita que a Ucrânia tem chances reais de conseguir manter seu território, e Putin está em uma situação delicada, pois uma derrota pode significar sua queda. Para o resto do mundo, está em jogo a estabilidade geopolítica do mundo, inclusive o risco crescente de uma escalada nuclear, caso a Rússia apele para armamentos desse calibre.

De volta ao Brasil, já em 2021 a inflação vinha acelerando, e o BC iniciou a subida dos juros ainda naquele ano. Iniciamos 2022 com o IPCA acumulado em 12 meses em 10,06%, e os juros que em março de 2021 estavam em 2%, foram elevados até o patamar de 13,75% em agosto, e desde então houve a manutenção. A inflação teve seu pico em abril de 2022, a 12,13%, e desde então vem caindo, e o mercado espera que o IPCA feche o ano em 5,64%. Já a expectativa para o PIB é 3,04% em 2022, e menos de 1% para o próximo ano.

A inflação foi um problema mundial este ano, após estímulos monetários durante a pandemia, quebra das cadeias produtivas e aumento dos combustíveis devido a guerra da Ucrânia. Os principais bancos centrais do mundo estão elevando os juros para conter a inflação, para patamares que não se via há anos. Esse aumento das taxas causa redução da liquidez e da propensão a risco dos investidores em todo o mundo, o que ajudou a contratar uma recessão mundial que se espera para o ano que vem. Na Europa, existe um risco adicional que é a inflação ficar ainda mais pressionada por conta do corte de fornecimento de gás por parte da Rússia, que vem utilizando esse artifício como chantagem por conta do apoio ocidental à guerra da Ucrânia.

Tivemos em 30 de outubro a eleição a presidente da República de Luiz Inácio Lula da Silva, que volta a ocupar a cadeira depois de 12 anos, dos quais quase dois preso. Foi o segundo turno mais apertado desde a redemocratização, em que Jair Bolsonaro usou pesadamente a caneta presidencial para buscar a reeleição. Tentou-se criar uma terceira via, por parte dos que não apoiavam nenhum dos dois principais candidatos, mas o projeto não se consolidou. Lula tomará posse dia 1º de janeiro, já anunciou boa parte do seu ministério, e aprovou junto ao Congresso uma PEC que permite gastos acima do Orçamento aprovado para 2023.

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